Acreditar


Às vezes dizem-me: não penses que és a única. Porque há muita gente assim, assado, que até fazem mais isto blá blá blá. Eu sei que esta conversa da treta tem o único propósito ou, de me animar ou, de me fazer sair da concha, enfim basicamente o propósito é bom. No entanto considero-me uma mulher bastante racional e sou capaz de me analisar com alguma clareza e até dureza mais que a qualquer pessoa. Ainda assim, consigo ser brutalmente naif e crente.

No fundo, bem no fundo desta minha carapaça, hoje em dia, mais de tristeza, de profunda tristeza, que de outra coisa qualquer, acredito que existe em nós algo que nos poderá mudar para muito melhor do que aquilo que somos. Parece um nonsense… e se calhar até é. O que quero dizer é que me questiono porque é que, em tantos anos de existência a mudança tem sido sobretudo nas coisas e menos em nós. Eu sei que dá vontade de sorrir, isto de questionarmos o inquestionável ou melhor, perguntar aquilo que não tem resposta e que como tal não interessa ficar aí.

Não sei se já referi que há em mim um não sei quê de violentamente teimoso… eu diria que é o meu sexto sentido a trabalhar em pleno, no entanto por algum motivo que ainda não consegui dominar, já me traiu frequentemente.
Sorrio. Mas que absurdo. Não sei se quero acreditar que somos mais do que isto, porque me parece demasiado limitado e despropositado, ou se realmente a tábua em que imprimiram tudo aquilo que sou me torna nada!

Sei que se parar de escrever e só o voltar a fazer noutro dia, já não conseguirei dar forma a estas representações mentais turbulentas, porque noutro dia eu, já não sou eu assim, mas sou assado e o raciocínio é deveras diferente, e em vez de um sorriso, solto gargalhadas estridentes (é o que dizem) e boicoto-me alterando tudo.
Sem querer perder aquilo que aqui me trouxe, resumindo, é que me acho mesmo, muito igual mas muito diferente, a uma grande parte das mulheres que conheço. É essa partícula que me diferencia das demais que me faz acreditar que ainda não sabemos nada mesmo nada de nada sobre nós próprios.

Acho que é por isso que mantenho um não sei quê de inocência infantil. Sorrio.

Assim resta-me dizer que nestas conversas com o meu sofá haverá muitos eus, quase todos bem complexos, pois a simplicidade, deixo para a página inicial!  

Sem comentários:

Enviar um comentário