Gavetas

Há momentos em que tenho a minha cabeça tão cheia de tanta coisa que gostava de verbalizar que quando o tento fazer, sai apenas uma pessegada de pensamentos desconexos, frases sem nexo… como se a minha cabeça fosse um quarto cheio de gavetas e todas elas estão abertas com frases a sair umas em cima das outras, algumas já no chão, misturadas as palavras já sem se perceber qual faz parte do quê.

Outras vezes o silêncio, o vazio… não sai nada e não quero que nada saia. Quero estar assim, sem a cabeça a fervilhar, apenas vazia sem pensamentos, sem frases, inerte, muda…

Esses momentos, ao contrário dos outros, também se traduzem fisicamente, numa inércia, num “far niente” num mudismo físico, em que sinto o peso da gravidade e aí tenho consciência do corpo que sustenta a minha cabeça.
A minha cabeça! Esse computador tão complexo e imensamente misterioso, que faz de cada um de nós tão iguais e tão diferentes. O cérebro que comanda o equilíbrio/desequilíbrio dos fluídos, ramificações, conexões, neurónios, axónios, células, sinapses… enfim um “microcosmo” dentro de cada um de nós e que faz funcionar tudo o resto que lhe está em apêndice, ou seja, o corpo.

Pergunto que fluídos estão a mais e a menos para justificar as minhas contradições, confusões, silêncios e gritos? Pergunto sendo nós tão iguais como estamos tão sozinhos? Sendo nós química que baralha e desbaralha podemos fazer tanto de bom e tanto de mal?

Apesar de ser q.b. racional, acredito (acho que…) que somos diferentes e essa diferença ainda ninguém soube explicar “ipsis verbis” o que é. Portanto e apesar de tudo vou continuar a acreditar que algo em nós (nuns mais de que noutros) está para além (ainda e talvez durante muito tempo…) do nosso conhecimento. Que o cérebro continua a ser um mistério… a desbravar…

Estou com as gavetas todas desarrumadas. Vou remeter-me ao silêncio!


Conversas XI

Sem comentários:

Enviar um comentário