Mudança



Hoje disseram-me algo que me deixou assim… num estado mais ou menos catatónico.
Aliás há algum tempo que as pessoas me têm vindo a dizer, de uma forma menos… brutal, que eu tenho mudado muito, algo que sem dúvida concordo. A vida tem a capacidade de nos mostrar e ensinar a viver brilhantemente, se bem que acredito que a maior parte das vezes estamos cegos, surdos e eventualmente mudos a esses ensinamentos.
Adiante. O que me disseram hoje foi, num contexto próprio, «às vezes precisamos de levar uma boa lambada da vida, para acordarmos!» Fiquei estupefacta, diria mesmo estarrecida. É certo que a vida me tem dado lambada atrás de lambada, coça atrás de coça e por vezes eu questionava-me (aliás todos nós fazemos isso) porquê eu? Afinal já sei. É óbvio que é merecido e que por acaso até tem tido efeito, segundo parece, positivo.
Claro que isto vai servir, provavelmente para muitas conversas com o meu sofá. Quando sou surpreendida com alguma revelação mais “violenta” sobre a minha pessoa, demoro algum tempo a digerir a informação, a fazer muita autoanálise e eventualmente a chegar ou não a algum lado sobre mim.
Neste momento a minha questão tem a ver com quem fui até à dita mudança.
Sem querer dar uma de “Calimero” na realidade pergunto-me? Estas mesmas que são minhas amigas, e disso não tenho dúvidas, como o puderam ser sempre? Porque eu revejo-me como uma pessoa insuportável, difícil, irascível, arrogante, cínica e intolerante. No entanto foi esta pessoa que casou, teve filhos, tornou-se uma profissional e fez amigos…
Sei que tenho mudado bastante, pelas lambadas, pelo tempo que passa e que nos vai mostrando outras diferentes paisagens, pelo cansaço, pela resignação… acredito que é um todo que nos vai mudando. Mas não será assim que deve ser?
Quando somos novos temos todas as certezas do mundo, toda a razão e, a verdade é só uma! Depois… tudo muda!
O que quero dizer é, que por mais que analise a situação, que supostamente foi a reveladora da minha mudança, continua a ser, para mim, profundamente injusta, cruel e fruto da prepotência que algumas pessoas em algum momento conseguem e podem exercer sobre outros. Se calhar o que me mostrou essa situação é que realmente nada em nós pode estar dependente dos outros. Nem expectativas, desejos, vontades, nem tão pouco devemos esperar que os outros venham de encontro àquilo que consideramos ser o correto, nem que partilhem de valores como a lealdade, a humildade (q.b. porque para mim é das coisas mais difíceis de alcançar), a generosidade, a verdade seja ela qual for. Ou seja, os outros quase nunca são aquilo que nós imaginamos deles. Seja no trabalho, na escola, em casa, criamos nos outros, um não sei quê de ideal, para nós, e depois não são eles que nos dececionam nós é que nos dececionamos porque os idealizamos…
Assim acredito que as pessoas mudam sem dúvida nenhuma, nem sempre para melhor… acredito também que há pessoas que nunca mudam… É dessas que tenho mais pena…

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