Lar doce lar


Lar doce lar

Mmmmm é mesmo. Então no inverno, nada melhor que passar o dia no quentinho do nosso lar, o dia todo de pijama XXXL cardado e confortável, sem prisões, elásticos… livre por dentro e quente por fora.

Hoje em dia é tão difícil perceber o certo e o errado. Na retórica usada como mais-valia na defesa das ideias, muito mais que ações, gestos, posições e atitudes, a maior parte de nós só encontra refúgio dentro das suas quatro paredes que por mais irónico que seja sendo, “lar doce lar” nem se quer é nosso e, a qualquer momento podemos ser “despejados” duma ou doutra forma.

Mas adoro o meu lar onde se encontra o meu sofá. Quando meto a chaves na fechadura rodo e vejo o meu hall de entrada a cumprimentar-me, passam-me as dores de cabeça, as dores da alma… e a paz volta a instalar-se. Depois instala-se aquela rotina… mas até isso me sabe bem.
                                               
Dentro dessas quatro paredes sou eu, livre, sem falsos pretextos de contextualização, sem retórica subtil e demagógica, sem jogos de cintura. Simplesmente eu. Quase poderia dizer «simplesmente Maria» embora não me lembre da história desse folhetim, lembro-me do nome, e quem não é simplesmente “Maria” neste país de Marias?

Neste refúgio que ainda consigo manter (não sei bem porquanto tempo) sempre que posso ouço a minha música e vejo os meus filmes que me transportam para onde quiser. Afinal a música é a voz dos anjos, dizem…
Neste refúgio, sinto-me imensa de amor,  capaz de pensar, idealizar tudo e qualquer coisa da forma mais altruísta e desligada possível…

Mas eis que alguém toca à campainha e me tira desse torpor de “peace and  love”… não me levanto logo “amaldiçoando” quem ousa interromper semelhante estado de êxtase…. Insistem! Levanto-me furibunda, tal e qual drogado que lhe cortam a dose… Abro a porta … e uma jovem muto jovem vestida de “faz -de –conta” que sou uma adulta expert em relações públicas me tenta “impingir” um qualquer produto sem interesse… Com um esgar de repúdio recuso fingindo-me demasiada ocupada.

E assim termina a minha incursão ao reino do faz-de –conta “Home sweet home”.

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