Silêncio versus elocução



“Speaking  silence” despertou-me curiosidade este título pelo quase antagonismo da expressão. Digo quase porque realmente se fala do silêncio neste livro que me passou pelas mãos.

É um livro americano de Andrew Vogel Ettin de 1994 e numa das abas da capa desdobrável, a jeito de introdução da editora, diz o seguinte “ Language and silence have usually been understood as oposites and assigned different values, but wich one is positive and wich is negative? When people equate silence with supression or repression, they argue that it is through language that we discover meaning. Yet people who perceive deep wisdom in silence believe that words falsify experience.”

Efetivamente o silêncio pode ter perceções tão diferentes dependendo do contexto no qual se insere. Pode efetivamente  ter um significado de repressão, de opressão impedindo a manifestação de sentimentos, opiniões, ideias, emoções… pode inibir também o sentido de algo, nomeadamente numa discussão/diálogo quando A fala, se expressa, exprime algo e o B se mantêm em silêncio mesmo quando deveria estar a dar um feedback qualquer sonoro. Aqui o A poderá concluir qualquer coisa porque não houve nada mais que o silêncio. Podemos sempre dizer que se B falasse A poderia sempre interpretar um significado diferente também daquele dado pelo B. Seria neste caso “words falsify experience”. 

Mas se o silêncio pode levar a diferentes significados e se a elocução também… Então falamos? Calamos? Pode efectivamente o silêncio comunicar? Será que a palavra e o silêncio sofrem ambos de possíveis “descarrilamentos comunicacionais”?

Este livro que considero surpreendentemente interessante, fala sobre isso e sobre todos os “clichés” que envolvem o silêncio, a elocução e a comunicação.

Ainda assim creio que todos são sumamente importantes. Preciso deles consoante os momentos, os tempos e os contextos. 

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