Stuck in the 80’s



Há expressões que fazem mais sentido, ou melhor, o sentido é mais intenso, verdadeiro, enfim, parece expressar melhor o que nos vai na alma, um pouco como a palavra saudade…

Serve a mínima introdução para de alguma forma justificar o uso do inglês no título.

Tenho a certeza que os anos 80 foram sem dúvida especiais. A geração que os viveu também… pese embora a falta de factos para confirmar o que digo. Factos, esses que nos deviam trazer ao momento presente uma luz “iluminada” e não uma luz “apagada”, que é sem dúvida aquela em que vivemos.

Mas perdoem-me, não quero afastar-me da razão deste texto, que gostaria que fosse de alguma forma um “louvor” aos anos 80.

Eu iniciei os 80 com o desflorar da minha juventude, a descoberta de ser mulher, as perguntas, as dúvidas, a revolta de uma criança a tornar-se mulher e o choque de sair da inocência para a “impureza”, “malícia”… para o pecado (que nos daria aqui tema para outro texto).
Enfim a rutura entre realidades opostas. E então em que me refugiei (eu e outros)? Na música e “movies”.

Lembro-me perfeitamente que a música nessa década expressava quase todos os nossos sentimentos, ideias, ideais, emoções.
Assim quando ouço, Human League que não só os achava fantásticos como em termos visuais desafiavam a “normalidade” , Simple Minds cheios de estilo,  The Pretenders, Queen, Fleetwood  Mac, Simply Red, Spandau Ballet, Duran Duran, A Ha, Eurytmics, Supertramp, Rod Stewart (o meu ídolo em inglês),B-52, Bangles, Boomtown Rats, Culture Club, DEpeche Mode, DExy's Midnight Runners; em português também foi criativo: o maior de todos Rui Veloso, Trabalhadores do Comércio, Jáfumega, Heróis do Mar, UHF, Os Taxi, Os Salada de Fruta, António Variações, Radio Macau, Sitiados, enfim uma lista infindável de músicas  e músicos que me tocaram, marcaram essa década, cresce em mim essa coisa da nostalgia…

Vêm os filmes também: ET, Top Gun, Pretty In Pink, Indiana Jones, Back To The Future, Star Trek, Espaço 1999, O Exterminadador, Desesperadamente Procurando Susana, Poltergeist, Blade Runner, Manequim, Karaté Kid, Die Hard, O último Imperador, Um peixe chamado Vanda, A Testemunha, Mad Max, Acusados, A mosca, Flores de Aço, Against all odds, Império do Sol, enfim tantos, tantos…

E nós a desenvolvermo-nos física e intelectualmente e a absorver tudo, tudo. Que bom esses tempos, ainda tão fora do universo adulto.
Foi uma década fantástica de sonhos, experiências que nos trazem até hoje. E que depressa passou…

Agora o universo está a fazer o seu ciclo de volta e os 80 com novas “roupagens”, atualizações e novas personagens e nós somos os outros, os espetadores e não as personagens. Queremos poder interferir de forma a potenciar o que de melhor tem esse tempo mas não nos é permitido intervir. Estas personagens têm agora que trilhar o seu próprio caminho, realizar as suas próprias aprendizagens, processando, evoluindo e preparando-se para passarem a espetadores.

“Stuck in the 80’s” de alguma forma.

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