Conversas I


Acredito que existem muitas semelhanças nas expectativas, sonhos e desejos que nos incutem. Por isso é que algures dentro de nós existe a esperança de encontrarmos a nossa “alma gémea” que vai ser exatamente como aquele ator ou atriz, neste ou naquele filme.

Depois a realidade fala mais alto e as coisas não são nem de longe nem de perto iguais aos filmes. Claro que há aqueles que têm outro tipo de espectativas… diferentes. Quando estas duas se encontram não pode dar certo… ou talvez dê… eventualmente…

Quero com isto dizer que as relações entre os seres humanos e particularmente, não só mas também, entre homem e mulher num contexto amoroso, são deveras complicadas.

Hoje falava com um grande amigo meu que me telefonou só para me contar uma história, à qual chamou “história de amor”. No fim eu disse-lhe e, para grande pena de dele, que aquela história era “uma historinha…”. Disse-me ele “pronto não és romântica!” Eu fiquei sem saber muito bem se o era ou não…
Depois mais calmamente analisei a situação e realmente o meu conceito de romance não passa propriamente pelas velas acesas, um encontro em frente à lareira, com um copo de vinho e uma mantinha, à conversa... Eu chamaria àquilo que a generalidade chama romance, preliminares. Romance, amor, paixão para mim, passa pelas transformações que somos obrigados a fazer lado a lado, e ainda assim podermos ter gestos acima de tudo, mas também palavras que, reflitam efetivamente o estar apaixonado. Para mim faz muito mais sentido que depois de apanharmos com o melhor e o pior de uma pessoa, ao fim de alguns anos ainda assim a queiramos a nosso lado e ainda assim a desejemos. Isso para mim é romance. É conseguirmos passar para o patamar não da animalidade, mas da racionalidade e do equilíbrio entre os sentimentos, a bagagem que trazemos desde pequenos, aquilo que vamos acumulando ao longo deste percurso e que nos é injetado pela educação, pela sociedade, pela publicidade e pela globalização.

É aquilo que eu posso considerar evolução!

Não posso dizer que conheça muitos casos, pois obviamente é um patamar difícil de alcançar, mas conheço.

Claro, depois temos aqueles que acreditam que o homem não nasceu para ser monogâmico, que não temos que apanhar com uma pessoa que pode ser a errada o resto da nossa vida. Há aqueles que acreditam que há valores a preservar, há referências a manter, enfim muitas e divergentes opiniões e quem sabe todas certas. 

Será uma reflexão para um outro dia.